Adult Education in Florianopolis - FEJAFLORIPA
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22/11/2011

Resistir, denunciar e se unir - uma carta ao vento que nos encontra!

É uma lástima.

O Ensino Fundamental (EF) e a Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis (SME) estão atualmente praticamente obrigando que todas as unidades educativas de EF e de Ensino Infantil tenham Conselhos Escolares para assegurar uma gestão democrática que inclui professores, comunidade escolar e estudantes na discussão de seus projetos, enquanto isto para a EJA de 2012 seus gestores fazem autoritariamente um “novo plano de curso” (NPC) de cima para baixo a partir de um “pequeno grupo” de pessoas convidadas já que não se obteve apoio da maioria dos coordenadores e professores atuais. Para tanta pretensão, a atual gestão da Diretoria de Ensino Fundamental (DEF) se apropriou da inexperiência inicial não só de um jovem bom moço, mas de 70% de todos os professores de II segmento que nunca haviam trabalhado na EJA de Florianópolis antes de 2011. Estrategicamente, ao mesmo tempo em que se ganhava tempo, tentando apresentar uma postura democrática por parte da DEF, se produzia desunião entre coordenadores e professores através de cooptação e da necessária “fidelidade ao chefe”.

São muitas as inconsistências, incoerências, incongruências e contradições neste processo.

O Ensino Fundamental da SME faz um programa intitulado como TOPAS (Todos podem aprender sempre) com um professor chamado de articulador e mais professor de área para lidar com adolescentes. Ou seja, dois professores atuando com estudantes em defasagem série-idade, como um programa de aceleração. Para a EJA, o “novo plano de curso” se estrutura com apenas um professor em sala. Juntos, com apenas um professor, adolescentes de 15 a 17 anos, jovens trabalhadores de 18 a 29 anos, adultos chefes de família de 30 a 59 anos e idosos acima de 60 anos (quatro faixas etárias bem distintas).

Enquanto no Ensino Fundamental, o professor é lotado por unidade escolar, o que equivale à apenas uma localidade, na EJA o mesmo professor, qualquer que seja a sua carga horária, em função dos núcleos atenderem em várias escolas, vai ser obrigado a aceitar trabalhar por várias localidades até se esgotarem as possibilidades de sua carga horária, sem condições de se aprofundar nas questões de vínculo e de especificidades educacionais, em um difícil terceiro turno noturnamente violento.

Enquanto que no Ensino Fundamental, com a maioria de professores efetivos, esta manobra é difícil de implantar, na EJA, não estão se preocupando com as reações. Na EJA, a absurda maioria, de mais de 95% de professores contratados temporariamente (ACT) que se renova a cada ano, não tem escolha. Pesquisa demonstra que 70% dos professores do II segmento de 2011 inscritos no EDUCACENSO deste mesmo ano não trabalharam na EJA de Floripa anteriormente. Em 2012, vai ser a mesma coisa, vai ficar fácil convencer a quem nada sabe do processo anterior. E se não gostarem de trabalhar em várias localidades, isolados em suas salas, que peçam demissão (efetivo - remoção). Ou seja, “ou peguem ou larguem”. Mas a gestão sabe que isto não será possível acontecer, pois os professores substitutos precisam do emprego para sobreviver. Por isso não tem concurso público para a EJA e não porque ela vai acabar, pois com 75.000 eleitores sem E.F e 8.000 sem saber ler e escrever, com toda a migração que acontece diariamente para a capital, com as históricas precárias condições de vida da maioria da população brasileira e constatando a nossa ínfima capacidade de atuação material, este quadro não tem perspectivas de se alterar substancialmente.

É uma lástima.

Para os poucos professores efetivos na Eja, o que oferecem? Se quiserem ser coordenador é só “pedir ao chefe” e aceitar o “novo plano de curso” sem reclamar. Ainda, como ação proposta pelo “NPC”, como incentivo e gratificação, os coordenadores vão ganhar dinheiro a mais no salário para isto (diretores das unidades escolares que abrirem EJA também vão receber). Vale lembrar que isto, nunca nenhum coordenador de núcleo recebeu em toda a sua vida de militante (não que não fosse justo) na EJA de Florianópolis, e isto sendo agora feito só para conseguir adeptos e apoio ao “novo plano de curso” é revoltante.

O que mais oferecem aos professores efetivos? Podem fazer 24 horas-aula com os estudantes, não vão precisar completar as 28 horas. Que dádiva! Enquanto até agora, todos trabalham toda a sua carga horária com efetivo trabalho coletivo nos núcleos, para 2012, pelo “NPC”, vão bastar 24 horas-aula solitárias nas salas com estudantes de todas as faixas etárias, desde que trabalhem em todos os lugares que se mandar.

É uma lástima.

E os conteúdos curriculares, o que se propõe no “NPC”? Uma adaptação do Ensino Fundamental, aqueles conteúdos para crianças que vivem as “escolas regulares”. A Educação Física vai ser ofertada em 2012 tendo, como uma de suas funções, que virar “disciplina tampão”, para que os demais professores possam planejar. Na lógica metodológica do “NPC” da EJA do Ensino Fundamental, saber responder, copiar e obedecer é bem melhor do que saber pensar, pesquisar e discutir de uma EJA que por vários anos vem se construindo a várias cabeças e sob condições insistentemente precárias, provisórias e muito severas.

E a grade escolar? O “NPC” enfim traz de volta a todos suas “caixinhas”. Lança-se um desafio, a quem quer que seja, de montar uma grade com a mesma estrutura do EF (número de aulas por disciplina por semana) para um núcleo funcionando apenas em um turno e com todos os seus professores contratados apenas por 20 horas semanais. Quem aceitar o desafio verá que é impossível, que não dá. Mas para a EJA parece que é apropriada. E ainda se ouve dizer, pelos críticos do atual processo pedagógico, que ter a pesquisa por problemática enquanto princípio educativo é proposta político-pedagógica “para pobre”. Pobres então devem ser todos aqueles que fazem pesquisa para se tornarem mestres, doutores e pós-doutores.

É uma lástima.

Infelizmente, temos que continuar denunciando as inconsistências, incoerências, incongruências e contradições da Diretoria de Ensino Fundamental da SME de Florianópolis na tentativa de implantar suas propostas de Plano de Curso autoritário, através de conteúdos disciplinares mínimos adaptados daqueles ofertados às crianças, com grades de horário precárias e fragmentadas, com distinções estruturais entre TOPAS e EJA, com professores provisórios e substituíveis etc.

Resistir, denunciar, e se unir. Estas são as palavras de ordem de uma EJA não submissa, não calada e que precisa de todos para fazê-la cada vez melhor.

17/11/2011

O FEJAFLORIPA participa do lançamento do II Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica

Lançamento do evento será em 29 de novembro na capital

 

No próximo ano, Florianópolis será a sede do II Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica. Com o tema Democratização, Emancipação e Sustentabilidade, o evento será realizado de 28 de maio a 1º de junho de 2012 e a expectativa é receber 10 mil pessoas. O lançamento oficial do Fórum está marcado para o dia 29 de novembro deste ano, no Centrosul, em Florianópolis.
A cerimônia de lançamento, marcada para as 16 horas, contará com a presença do secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Eliezer Pacheco, além de autoridades nacionais, estaduais e locais. Os reitores e diretores-gerais de todos os institutos federais e centros federais de educação tecnológica do país também participarão do evento.
Para o secretário do MEC, Eliezer Pacheco, o fórum de 2012 será um importante espaço para discutir a educação profissional e tecnológica. “Em sua 2° edição, o evento é um momento privilegiado de reunião de especialistas, professores, técnicos e estudantes onde se busca trocar experiências e debater os rumos e a importância da educação profissional e tecnológica”, ressalta.
A cerimônia de lançamento do II Fórum marcará o início das inscrições para participantes do evento. As inscrições serão gratuitas e deverão ser feitas pela internet no site oficial do Fórum no endereço www.forumedutec.org.
Cerimônia
Durante a cerimônia de lançamento, serão lançadas duas publicações: o livro do Centenário da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e o livro Institutos Federais – Uma Revolução na Educação Profissional e Tecnológica, do secretário do MEC, Eliezer Pacheco. O lançamento do II Fórum também contará com apresentações culturais.
Sobre o Fórum
O Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica é um fórum temático vinculado ao Fórum Mundial de Educação, um movimento pela cidadania e pelo direito universal à educação que busca levantar propostas para integrar a plataforma mundial de educação. Durante cinco dias, estudantes, professores, pesquisadores, trabalhadores, governos, sindicatos, associações e pessoas da sociedade civil de diversos países terão a missão de priorizar a educação na construção de um outro mundo possível.
A programação do evento contará com conferências, debates, oficinas, Mostra de Inovação Tecnológica, Mostra de Artes Visuais, Mostra de Pôsteres, Feira Gastronômica, Feira de Economia Solidária e Feira do Livro. Além de toda programação oficial, diversas atividades artísticas farão parte da programação cultural, terá grandes shows de abertura e encerramento.
Nesta segunda edição, quem comanda a organização do Fórum é o Instituto Federal de Santa Catarina (IF-SC). Além da instituição e de nosso fórum FEJAFLORIPA, outras 79 entidades também compõem o Comitê Organizador.
A primeira edição do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica foi realizada em 2009, em Brasília. Com o tema Educação, Desenvolvimento e Inclusão, o evento reuniu 15 mil pessoas do Brasil e de 20 outros países dispostas a participar da discussão sobre formação do cidadão para o mundo do trabalho.
Mais informações do Fórum no site oficial do evento: www.forumedutec.org.
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SERVIÇO
O quê: Lançamento do II Fórum Mundial de Educação Profissional e TecnológicaQuando: 29 de novembro de 2011
Horário: 16 horasLocal: Centro de Convenções CentroSul – Florianópolis – Santa Catarina
Site do evento: www.forumedutec.org
Mais informações para a imprensa: jornalismo@ifsc.edu.br / (48) 3877 9007

 

09/11/2011

O que é uma escola justa?

Texto do sociólogo francês François Dubet, "O que é uma escola justa?" aborda importantes questões referentes à meritocracia e à igualdade de oportunidades tão presentes nos discursos neoliberais sobre o papel da escola republicana.


A seguir alguns trechos marcantes:

" [... uma meritocracia escolar justa não garante a
diminuição das desigualdades..."

"O modelo de igualdade de oportunidades meritocrático pressupõe, para ser
justo, uma oferta escolar perfeitamente igual e objetiva, ignorando as desigualdades
sociais dos alunos. Ora, todas as pesquisas mostram que a escola trata
menos bem os alunos menos favorecidos..."

" [...a escola meritocrática legitima as desigualdades
sociais."

O texto publicado no Cadernos de Pesquisa, v. 34, n. 123, set./dez. 2004 poderá ser conseguido em sua íntegra no site do FEJAFLORIPA:
O que é uma escola justa?"

Ressalto que este título é o mesmo de um livro do mesmo autor impresso pela Cortez Editora em 2008 que aborda a questão em termos de "igualdade meritocrática das oportunidades; igualdade distributiva das oportunidades; igualdade social das desigualdades e igualdade individual das oportunidades. (livro no acervo da Biblioteca da UFSC)

Vale a pena conferir.

“Cala a boca já morreu” ! Com a palavra, os professores

Texto encaminhado pelo prof. Moacir Zanin em seu email.

Maria Isabel de Almeida - Professora da Faculdade de Educação da USP.
“Mas o que há assim de tão perigoso por as pessoas falarem, 
qual o perigo dos discursos se multiplicarem indefinidamente? 
Onde é que está o perigo?”
Michel Foucault
A pergunta de Foucault é mais que procedente frente à situação vivida pelos professores das redes públicas de ensino, de quem é subtraído o direito de se pronunciar sobre o próprio trabalho. Com base no Estatuto dos Funcionários Públicos eles são proibidos de manifestarem publicamente suas opiniões a respeito de qualquer ato da Administração, por meio de entrevistas ou outros meios de divulgação.

Num franco desrespeito à Constituição, que garante a liberdade de expressão a todos os brasileiros, os professores não têm a possibilidade de exercitar o direito de crítica, de reflexão, de apreciação sobre o próprio trabalho e as circunstâncias que o delimitam.

O resultado dessa limitação “vinda de cima” é o silêncio! Mas que silêncio é esse? Onde está o perigo se os professores falarem sobre educação?

Não restam dúvidas de que esse silêncio é uma concepção de gestão da esfera pública que se sustenta em sanções e ameaças, que pairam sobre as cabeças docentes. Com isso o discurso dos professores sobre o seu fazer pedagógico está hoje preenchido de silêncio, o que evidencia o quanto eles não se sentem donos de suas ações. Cada dia mais lhes cabe executar diretrizes vindas de cima; implementar propostas que desconhecem; cumprir tarefas; focar a atenção em aspectos burocráticos em detrimento do estudo, da reflexão, da criatividade, do exercício da crítica. E ainda não lhes é permitido se pronunciarem publicamente a respeito do que estão realizando nas salas de aula ou mesmo sobre o que acontece na rede de ensino onde trabalham.

Falar sobre o ato de educar se faz indissociável do ato educador. Está associado à possibilidade e capacidade de problematizar e refletir sobre a própria ação docente e seus contextos. Expressa também relações de poder. Portanto, quando o poder instituído reserva aos professores apenas o espaço da ação e lhes nega o direito de formular sua própria proposta de trabalho e de expressar publicamente sua avaliação crítica sobre os modos e as condições que delimitam sua ação pedagógica, vem à tona o caráter autoritário dessas relações de poder.

Os professores não chegam prontos às escolas e nem permanecem nelas do mesmo modo ao longo de suas carreiras. Eles vão se construindo profissionalmente à medida que se relacionam com seus contextos de trabalho, com seus pares, com seus alunos, com as normas que delimitam sua profissão e sua atuação dentro dela. Portanto, as interferências e os atravessamentos dos órgãos coordenadores dos sistemas de ensino vão moldando os professores e têm enorme responsabilidade pela ausência da sua fala a respeito do trabalho realizado nas escolas.

Mas, além dos impedimentos formais, um outro lado desse silêncio o torna ainda mais grave. Trata-se dos efeitos decorrentes do modo como os professores vêm sendo considerados pelas políticas educacionais contemporâneas. As atitudes dos gestores dos nossos sistemas de ensino têm se pautado pela desqualificação dos professores
A desqualificação do trabalho
As sucessivas mudanças introduzidas na organização e nos conteúdos da prática educativa trazem uma concepção a respeito do lugar e do papel dos professores no cenário educativo. Na medida em que lhes rouba a possibilidade de avaliarem e reorientarem o trabalho que realizam, impedem os professores de dizerem, com voz própria, como configuram e reconfiguram “os modos de ser professor” na escola pública contemporânea e de assumirem papel ativo na defesa do ensino. 

Como a educação é um trabalho que se desenvolve entre humanos, depende do modo como os sujeitos diretamente envolvidos decidem fazê-la acontecer. Assim, os professores são os responsáveis pela direção que imprimem ao trabalho em sala de aula, momento em que escolhem os modos como será realizada a tão necessária ação para inserir os alunos no mundo do conhecimento, para introduzi-los nos mais variados aspectos da cultura, para possibilitar que cada indivíduo integre-se à humanidade. Um trabalho dessa natureza requer capacidade de julgar o que precisa ser feito, o que é possível fazer e como fazê-lo nas condições concretas em que se desenvolve na sala de aula.

Portanto, ao invés de amordaçar os professores e investir contra a autonomia docente, os gestores prestariam maior contribuição à melhora da escola pública se apoiassem o seu desenvolvimento profissional, fortalecendo seus vínculos com a escola, os alunos, a profissão. Isso significaria organizar o sistema e as escolas para que ofereçam possibilidade de estudo e experimentação pedagógica voltadas para a atualização constante das referências ou bases político-pedagógicas que sustentam os modos de atuação docente.
Sônia Kramer diz que “ser autor significa dizer a própria palavra, cunhar nela sua marca pessoal e marcar-se a si e aos outros pela palavra dita, gritada, sonhada, grafada... Ser autor significa resgatar a possibilidade de “ser humano”, de agir coletivamente pelo que caracteriza e distingue os homens... Ser autor significa produzir com e para o outro...”.

Para serem autores do seu discurso os professores precisam construir mecanismos interiores que lhes permitam articular sua prática de modo coerente, não só com seus valores pessoais, mas também com os valores e necessidades construídas socialmente; precisam ter um domínio profundo do campo do conhecimento que irão ensinar, dos modos de ensiná-lo e dos alunos reais com quem irão trabalhar; precisam ter condições intelectuais e materiais para analisar individual e coletivamente o trabalho realizado; precisam ter recursos materiais e condições de espaço e tempo que permitam atender seus alunos de modos diferenciados e conduzi-los à aprendizagem efetiva; precisam também de reconhecimento e valorização profissional.

Estamos falando dos múltiplos aspectos que estão sendo, ano pós ano, subtraídos dos professores: formação de qualidade, condições adequadas de trabalho e valorização profissional.
Autoria do professor
Na medida em que esses aspectos estão sendo roubados dos professores, não só a possibilidade de falarem sobre o trabalho educativo, mas a própria possibilidade de serem autores de seu projeto de trabalho, das propostas que orientam a vida da sua escola está sendo igualmente subtraída. Também lhes está sendo roubada a idéia de pertencimento a uma categoria profissional, que deveria ser cada vez mais essencial, já que há um amplo e forte consenso a respeito da importância da educação escolar no mundo atual. Cada dia mais se esfacelam os vínculos entre os professores e a sociedade, bem como entre eles próprios.
Acabar com o silêncio dos professores requer mais do que lutar contra os cerceamentos formais à liberdade de expressão. Significa reorganizar a escola, as condições da docência e da formação dos professores. E para tanto a própria sociedade brasileira terá de se posicionar frente a uma importante questão: que educação quer para suas futuras gerações.
 

Email do Professor Moacir Zanin - EJA de Florianópolis

Florianópolis, 09 de novembro de 2011
Bom dia a todas(os)!
          Nesta noite de terça-feira em alguns núcleos de EJA da Rede Municipal  de Educação de Florianópolis recebemos a visita solitária do chefe de departamento do Ensino Fundamental para anunciar entre "outras" novidades para o ano de 2012 a de que teremos uma cozinheira para fazer e servir a merenda aos educandos. 
          Quando da tentativa de questionamentos por parte de alunos e professores relativos às "outras" novidades, deixou claro que não era o espaço e horário para estas discussões, que não veio para isso e que poderíamos  fazê-lo em outros locais mas  não disse quais seriam estes espaços portanto julgo que este espaço não apresente impedimento para contrapor algumas de suas afirmações a seguir:
1- Que a rede precisa ter equidade na distribuição da carga horária de seus professores sejam eles da educação infantil, fundamental ou na modalidade de EJA.
    Desconsidera as especificidades de alunos jovens e adultos sendo que muitos são o produto da falta de equidade na distribuição de renda e oportunidades a eles oferecidos  cuja  educação da nossa rede como um todo está a serviço de reforçá-la quando trata a todos em formato único. Este argumento da equidade não visa o sujeito aluno, seja ele da educação infantil ou de EJA e sim equacionar "inverídicas" distorções que resolve o problema de quem afinal?
2- Se consultados, 90% dos alunos não estariam satisfeitos com a pesquisa como princípio educativo e ou com sua metodologia. 
    Não concordo com o número(90%) mas concordo em partes com o argumento pois quando o aluno é confrontado seriamente com as demandas de um processo de pesquisa exige-se dele uma postura que o faz pensar e o faz agir numa proposição ativa, diferentemente da proposição passiva em que o aluno se acomoda em receber pseudo-conhecimentos de forma pronta acabada e de fácil memorização instantânea para reverberação ao professor com data e hora marcada, grande parte das vezes conhecimentos desconexos de qualquer realidade proximal de conhecimento dos alunos e por vezes até do professor. Pensar e agir por si  não é tão simples como ter alguém que pense e determine como devamos agir. Soma-se a isso o fato de que todo um sistema desde o nosso nascimento nos diz a cada momento o que é certo e o que é errado, o que é importante  e o que não deve ser considerado de relativa importância, sem nos permitir margens de reflexão e de proposição ao contraditório. Cansei de encontrar pessoas, alunos ou não, que dizem querer aprender a fazer contas matemáticas, operações básicas, etc. e quando os questiono o porquê deste interesse eles geralmente respondem que é preciso saber matemática, que é importante na vida saber matemática mesmo que alguns admitam que dela não necessitam tanto, preferem a satisfação imediata de um acerto no resultado de um algoritmo à leitura interpretativa de um texto composto por dados estatísticos que possibilitem sua inferência nas possíveis conclusões. Seria  um  status proveniente de um "poder" aferido ao simples domínio do cálculo? O que seria hoje mais pertinente às habilidades de muitos dos nossos alunos, dominar o cálculo de índices pluviométricos, da vazão dos rios, da capacidade de absorção de água pelo solo tão somente ou aprender o processo de independência  na escolha de seus representantes conjugado  com ações possíveis e cabíveis na proposição e cobrança de comportamentos  que viabilizem moradias seguras e a salvo das ações de enchentes e tempestades? mesmo que uma não exclua a outra sempre existirá prioridades e que obviamente não serão as mesmas para todos, para quem mora no morro ou para quem mora no apartamento seguro do condomínio de luxo.
3- Não há continuidade dos professores de um ano para outro nos núcleos  porque não se justifica efetivação na EJA visto  a mesma estar  em processo de redução de matrículas portanto com prazo para acabar. Cita a progressão continuada no ensino fundamental como uma das razões para se dar conta com eficiência dos alunos em sua idade série. 
    Enquanto houver diferenças econômicas-sociais não deixaremos de ter o produto dessas desigualdades, infelizmente.
4-Que a EJA não pode ser uma seita onde todos seguem a um pastor.
   No ano de 2005 em conversa com o atual chefe do departamento sondei a possibilidade de ser professor de EJA fato que se tornou possível em 2008 com a abertura de remoção com uma vaga por área de conhecimento. Querer atribuir a apenas uma pessoa (pastor) as críticas que se fazem às tentativas de retrocesso na política educacional na EJA é subestimar a inteligência e capacidade de um grupo expressivo de profissionais da educação. Grupo de profissionais este que na mesma fala citada foi seriamente depreciado frente aos alunos para exclusiva defesa de suas convicções, entre elas a de que há um elevado custo referente ao percebimento médio dos salários dos professores.

      No texto acima não há a inferência de nenhum guru, nem mesmo a verificação ortográfica de qualquer outro profissional portanto é passível de "erros" ou até incoerências de percepção,  mas é a prova de que a forma de trabalhar na EJA , a partir dos desacertos, nos possibilita e nos encoraja  a sermos de verdade autônomos  para sermos não só meros professores e sim modelos de perspectivas possíveis no caminho de mudanças tão necessárias à e para a população permanentemente excluída deste país.
    
NÃO É A EJA QUE TEM QUE MUDAR MUITO MENOS RETROCEDER, SÃO AS DEMAIS MODALIDADES DE ENSINO QUE DEVEM REPENSAR SUAS PRÁTICAS. NÃO TEMOS QUE ADAPTAR AS PRÁTICAS AOS RECURSOS E SIM OS RECURSOS ÀS PRÁTICAS.
10% DO PIB POR QUE NÃO?   

POR FIM . CONCORDO QUE A PRÁTICA ATUAL POSSA E DEVA SER APERFEIÇOADA, MAS SEM REDUÇÃO DE CARGA HORÁRIA DOS PROFESSORES E PARA ALÉM DO PRINCÍPIO EDUCATIVO  ATRAVÉS DA PESQUISA. COM A PARTICIPAÇÃO QUE PRECONIZA TODOS OS DOCUMENTOS ORIENTADORES DA GESTÃO PÚBLICA. AFINAL COMO PODE UM PROFESSOR TRABALHAR A "MISSÃO " DA SUA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SE LHE É PROIBIDO MANIFESTAR-SE ATÉ NOS "LOCAIS DITOS APROPRIADOS" SOBRE OS RUMOS DA EDUCAÇÃO.?

APROVEITO PARA ANEXAR UM TEXTO MUITO PERTINENTE AO ATUAL E AO QUE ME PARECE PERMANENTE (3 FINAIS DE ANOS REPETITIVOS) MOMENTO DA EJA DE FLORIANÓPOLIS. (segue na próxima postagem)

06/11/2011

Por onde caminha o Currículo desenvolvido pela EJA de Florianópolis?


Quinta-feira, dia 03 de novembro de 2011, realizou-se um encontro de formação ministrado pela professora da UFSC Maria Herminia Lage Fernandes Laffin com os professores da EJA de Florianópolis em que foram debatidas várias questões sobre o currículo na EJA de Florianópolis.

Na oportunidade a professora analisou, a partir de seu ponto de vista e interesse, um texto do professor José Manoel Cruz Pereira Nunes apresentado, em 2008, no IV Colóquio Luso-Brasileiro sobre Questões Curriculares que pode ser encontrado na íntegra no link a seguir http://fejafloripa.org.br/curriculo_emergente.pdf Outros textos do mesmo autor sobre currículo podem ser encontrados na página do sítio do FEJAFLORIPA: http://fejafloripa.org.br/textos.html
Embora não estando presente, o autor do texto considera que se estudar o que têm produzido aqueles que têm vivido a prática e refletido na teoria o processo da EJA em questão é um passo importante para a evolução do trabalho na EJA de Florianópolis.
Portanto, propõe-se que para uma próxima formação na EJA de Florianópolis se convide os autores a participarem nestes debates, pois tem-se o conhecimento que o debate e o conflito são poderosos instrumentos de conhecimento e emancipação.
A seguir, apenas para facilitar àqueles que não possam acessar ao texto completo, transcreve-se as ressalvas realizadas pelo autor como introdução para suas "análises parciais, considerações finais" de seu trabalho sobre os caminhos do currículo na EJA de Florianópolis no período 2001-2007. (grifo nosso). Sem apresentar estas ressalvas, o autor acreditava que o contexto de suas análises poderia ser precariamente apreendido.
" Por onde caminha o Currículo desenvolvido pela EJA de Florianópolis?Pergunta central deste trabalho. O que se pode inferir a partir das análises dos dados coletados?
Antes, porém, deve-se apresentar algumas ressalvas de modo a facilitar a compreensão geral dos resultados. Que ressalvas são estas? Primeiramente, que não há um padrão correto ou esperado na relação das pesquisas realizadas com a categorização dos Temas Transversais dos PCN. Ou seja, não se procura atingir um X número de pesquisas de tal Tema, Y de outro Tema e assim por diante. Os Temas são partes da Vida das Pessoas e é sobre a Vida destas Pessoas que se está tratando ao se desenvolver Currículo na EJA de Florianópolis. Na mesma forma concebida para os conteúdos, os Temas Transversais são meio e não fim. Segundo, a comparação dos resultados de um mesmo núcleo durante o período perde consistência em função da grande variação anual de profissionais, professores e coordenadores. Noventa e cinco por cento dos profissionais que atuam na EJA de Florianópolis são contratados através de concurso e por tempo determinado, sempre inferior a um ano. A porcentagem de retorno destes profissionais de um ano para o outro está na faixa de sessenta por cento. Terceiro, o Currículo da EJA não pode ser avaliado simplesmente em função dos enunciados das perguntas. Como detalhado de forma simplificada, um ciclo de pesquisas tem etapas que incorporam conteúdos dos mais diversos, sem prioridade entre conteúdos conceituais (fatos, conceitos e princípios), procedimentais ou atitudinais. A opção por analisar a partir dos enunciados é válida para se ter uma idéia e não para se produzir uma definição rigorosa. Esta definição poderá ser mais ou menos completa a medida que se incorpore na análise mais etapas e instrumentos aplicadas aos ciclos de pesquisa. Exemplificando é o caso de se destacar a importância dos Mapas Conceituais. Em quarto lugar, não menos importante, tem-se a proposta de desenvolvimento do Currículo como emergente e rizomático, que implica na possibilidade de se produzir conexões, encontros, atividades que contemplem necessidades diagnosticadas ao decorrer do ano letivo no processo educativo. Seja através das pesquisas, por conta da produção dos mapas conceituais, seja pela realização de outras ações, em função de um planejamento coletivo estes interesses e necessidades podem ser viabilizadas.
Tendo em mente estas ressalvas, é possível produzir algumas considerações a partir dos resultados identificados. "

30/10/2011

Subsídios para a reunião de terça-feira - 01 de novembro

Tendo por referência o processo histórico de teoria-práticas-resultados da EJA de Florianópolis e o que tem sido debatido e proposto pela atual gestão da EJA (diga-se Diretoria de Ensino Fundamental) de Florianópolis, apresenta-se alguns aspectos a serem considerados como relevantes na preparação para a reunião agendada com a SME de Florianópolis.

1- O argumento incabível da ilegalidade histórica da EJA da rede municipal de ensino de Florianópolis intenta desqualificar a base do que foi realizado a partir de 2000 e justificar a mudança de rumo. Considerando-se o que hoje está em vigor em termos de conteúdos específicos e que veio se alterando pelo tempo, tem-se a obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena (incluída em 2003 e alterada em 2008); de conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes (incluído em 2007) e da Educação Física, integrada à proposta pedagógica, como componente curricular obrigatório (final de 2003).

2. O que hoje está sendo requerido pela Resolução 02/2010 do Conselho Municipal de Educação de Florianópolis é o Projeto Político-Pedagógico e não um Plano de Curso como estão a propor.


3. Durante o processo histórico da EJA foi-se elaborando um conjunto de diretrizes e orientações teórico-práticas que se expressam no documento Estrutura, Funcionamento, Fundamentação e Prática na Educação de Jovens e Adultos EJA - 2008  que sempre foram as bases do PPP realizado pelos núcleos
(link: http://fejafloripa.org.br/caderno_do_professor_2009.pdf). A decisão de não "impô-lo" ou transformá-lo em "PPP único" (ou por resolução de conselho) sempre foi por respeito à autonomia pedagógica das unidades (LDB).

4. A transformação estrutural que dá condições de viabilidade à prática do planejamento coletivo na EJA de II segmento de Florianópolis é a carga horária de 30h para professores de II segmento que deve ser estendida aos professores de I segmento. Retroceder às 20 horas semanais é inviabilizar o planejamento coletivo. As alegações que um dia a EJA já funcionou assim, escondem que por um lado isto foi uma etapa do processo da contínua disputa pela EJA que se deseja e por outro que este funcionamento era realizado de forma precária com a ausência de professores de língua estrangeira e de artes e onde se facultava a presença dos estudantes.


5. Está comprovado que o que mantém jovens e adultos da EJA no processo de escolarização, tanto de Ensino Médio como de Ensino Fundamental são configurações de fatores onde predominam as questões de condição e situação social (trabalho, família, saúde, habitação...). Se querem realmente que estudantes trabalhadores permaneçam estudando que se comecem as discussões pelas condições de acesso e permanência efetivas dos mesmos aos espaços educativos.


6. A estrutura da EJA é incompatível com a estrutura do Ensino Fundamental. É o mesmo que propor um processo de construção de moradia brasileiro às condições de instabilidade geológica da Califórnia ou do clima frio da Antártida alegando-se ser necessidade de seres humanos. Não tem como propor um tipo de vestimenta ao sujeito de um contexto tropical semelhante ao de um contexto desértico alegando-se que é o mesmo ser humano. É impossível se propor uma dieta à um obeso semelhante à de pessoas em boas condições de saúde. Enfim não é possível pensar a EJA como o EF nem mesmo se ela fosse apenas escolarização.


7. Se pensarmos em Economia e não economicismo. Construir uma moradia não adequada ao contexto é jogar dinheiro fora. Incluir materiais (conteúdos) desnecessários ao contexto é jogar dinheiro fora. Fazer uma faixada "para inglês ver" é jogar dinheiro fora. Preparar jovens e adultos tendo como referência o que se faz com crianças durante nove anos é jogar dinheiro fora.


8. A atual gestão não tem efetivo que imponha um padrão de qualidade "por canetada" como o que foi criado pelo processo histórico de longa duração da EJA de Florianópolis. Precisamos continuar a nos expressar de forma coletiva e a procurar cada vez mais a compreensão do que está em disputa. Pois o que está em jogo é visão de mundo, de sujeito e de passado-futuro-presente.


9. O SINTRASEM (sindicato) tem papel fundamental nas negociações e precisa da colaboração de todos para compreender e aprofundar as questões de EJA desatreladas aos ditames do Ensino Fundamental principalmente por serem aquelas demandas muito diferentes destas. A resolução -  Educação de Jovens, adultos e Idosos - Compromissos e propostas aprovada na última Assembléia dos Trabalhadores da Prefeitura de Florianópolis é um marco de referência para a nossa luta e deve ser debatida com profundidade. Nela se incluem a necessidade do concurso público, da criação e composição de unidades de EJA etc.


10. A EJA não é Ensino Fundamental e portanto, por coerência aos princípios e às mudanças estruturais no cronograma da Prefeitura em 2008, os professores efetivos que tiveram sua lotação mudada sem consulta deveriam buscar seus direitos de permanecerem na Diretoria de Educação Continuada assim como todos nós empregarmos nossas forças para que a EJA continue como um departamento integrante dessa mesma diretoria.


11. Enfim, pelo que vem sendo discutido, pode-se apontar as seguintes reivindicações: a- Manutenção da carga horária mínima de 30 horas semanais para todos de modo a viabilizar planejamento coletivo amplo e a pesquisa enquanto princípio educativo; b- professores atuando em no máximo duas localidades; c- criação de Unidades Educativas de EJA; d- concurso público para preenchimento das classes vagas; e- condições adequadas de funcionamento - segurança, transporte e alimentação e espaços escolares; f- inclusão da área de conhecimento da Educação Física integrada à proposta pedagógica (LDB); g- construção coletiva de um PPP que respeite o processo histórico da EJA de problematização, via pesquisa educativa, da realidade de seus sujeitos para muito além do conteudismo escolar e que também contemple as necessidades estruturais para seu funcionamento.


A todas e a todos, no aguardo de mais sugestões e desejando muita energia positiva emanada por todos nós, uma boa reunião com o executivo.



EJA no PNE: desafios na consolidação de direitos

Simpósio: Educação de Jovens e Adultos

http://www.simposioeja.ifsc.edu.br        

27/10/2011

Filmes Educativos #1 - Bem-Vindo (2009) Philippe Lioret



O sonho, a liberdade e a percepção do outro nos fazendo aprender a ser. Grande filme. Ótimo para um planejamento multi ou transdisciplinar entre História, Geografia, Sociologia, Filosofia, Língua Estrangeira e Portuguesa.

23/10/2011

Creche Noturna em Florianópolis

Tornou-se de nosso conhecimento a informação, sem confirmação oficial, que incentivou-se as diretoras da Educação Infantil da Rede Municipal de Florianópolis a escreverem à Câmara dos Vereadores e ao sr. Prefeito uma carta contra a assinatura, pelo Prefeito, do projeto de lei PL 13629_2009 que Autoriza o Poder Executivo a implantar no município de Florianópolis, a creche noturna”.(termos originais do PL. abaixo, após assinatura) 

No entanto, como demonstra o texto das Diretrizes para Educação Infantil revisado, apresentado por Joana, a seguir, o atendimento destas crianças no horário noturno, por enquadrar-se no âmbito de “políticas para a Infância”, deve ser financiado, orientado e supervisionado por outras áreas, como assistência social, saúde, cultura, esportes, proteção social.

Sendo assim, em nome do FEJAFLORIPA, nos posicionamos favoráveis a tal projeto, por ser uma bandeira de luta antiga da EJA e que vem legislar a favor de grande parte da população que não pode retornar às salas de aula por não ter local e pessoal qualificado com quem deixar seus filhos enquanto estudam. A ausência deste cuidado é, inclusive e  comprovadamente, um motivo de abandono dos estudos tanto das mães jovens e adolescentes como das mães adultas.

Esta Lei, no nosso entendimento, é uma das políticas públicas necessárias para se enfrentar a questão do acesso-permanência aos processos de escolarização do Jovem e Adulto das classes populares.

No entanto, nos colocamos também a favor e vigilantes para que o serviço a ser regulamentado pelo governo municipal seja de qualidade semelhante ao que se oferece no período diurno, com professores contratados de forma efetiva, boa alimentação infantil e com o acréscimo de uma boa vigilância. Ou seja, que a Educação Infantil Noturna não seja de qualidade inferior.

Sabemos também que se deve regulamentar a Lei de forma a preservar a criança dos possíveis casos de abusivo abandono da família mas que, com certeza, se configuram como casos de exceção não podendo, portanto, servir de motivo para a não aprovação do referido projeto de lei.

Gostaríamos de esclarecer que, infelizmente, a necessidade de creche noturna é uma imposição em consequência não só das necessidades perversas das leis de manutenção e reprodução do capital como também de seus efeitos perversos sobre a história das classes populares. Porém optamos por olhar, em primeiro plano, não só para as necessidades dos sujeitos-mães-pais jovens e adultos mas também olhar com atenção e zelo para os sujeitos crianças.

Segundo Kleicer - "mais um projeto de lei que dialoga com a realidades dos trabalhadores que estudam, principalmente as mulheres, que precisam de atendimento para seus filhos para poder se concentrar nas atividades de estudos. Muitos casos tem ocorrido, de estarem em sala de aula, mas preocupadas com seus filhos, se estão bem, temos que acampar mais essa luta, para que o direito a educação seja para todos, dando condições que todos possam estudar.

Maria Lucia, escreve o seguinte - "Se a demanda por creche noturna, é uma das bandeiras de luta da EJA, com certeza esse é o momento de nos posicionar-mos a favor da assinatura do projeto em questão.
Embora reconheça que precisaria de maiores informações para poder dialogar sobre o assunto.
Reconheço também que é de importância e de direito que todos aqueles que desejam estudar, tenham seus direitos garantidos. Conte comigo."

Regina comenta que - "Na minha opinião é uma pena que mães e pais tenham que recorrer a uma creche noturna. Este é um turno em que por direito as crianças devem estar no aconchego dos seus lares e dos seus pais. Infelizmente, vivemos em uma sociedade desigual que empurra as pessoas para certas necessidades urgentes. Sabedora da dura realidade do número de pessoas sem formação do nosso país, considero tal medida para criação de creches noturnas, necessária e justa."

Joana Passos, indo buscar nas Diretrizes Nacionais da Educação Infantil (Parecer CNE/CEB 20/2009 nos lembra que existem "aspectos que precisam ser considerados e principalmente não ignorados. A questão em foco não pode ser motivo de guerra entre os níveis e modalidades de ensino, mas, de construção coletiva de saídas justas para todos: crianças e adultos.

Segue texto das Diretrizes: (com grifos da Joana)

"Fica assim evidente que, no atual ordenamento jurídico, as creches e pré-escolas ocupam um lugar bastante claro e possuem um caráter institucional e educacional diverso daquele dos contextos domésticos, dos ditos programas alternativos à educação das crianças de zero a cinco anos de idade, ou da educação não-formal. Muitas famílias necessitam de atendimento para suas crianças em horário noturno, em finais de semana e em períodos esporádicos. Contudo, esse tipo de atendimento, que responde a uma demanda legítima da população, enquadra- se no âmbito de "políticas para a infância" devendo ser financiado, orientado e supervisionado outras áreas, como assistência social, saúde, cultura, esportes, proteção social. O sistema de ensino define e orienta, com base em critérios pedagógicos, o calendário, horários e as demais condições para o funcionamento das creches e pré-escolas, o que não elimina o e outras áreas, como a Saúde e a Assistência, a fim de que se cumpra, do ponto de vista da estabelecimento de mecanismos para a necessária articulação que deve haver entre a Educação organização dos serviços nessas instituições, o atendimento às demandas das crianças. Essa articulação, se necessária para outros níveis de ensino, na Educação Infantil, em função das características das crianças de zero a cinco anos de idade, se faz muitas vezes imprescindível.

As creches e pré-escolas se constituem, portanto, em estabelecimentos educacionais públicos ou privados que educam e cuidam de crianças de zero a cinco anos de idade por meio de profissionais com a formação específica legalmente determinada, a habilitação para o magistério superior ou médio, refutando assim funções de caráter meramente assistencialista,
embora mantenha a obrigação de assistir às necessidades básicas de todas as crianças.

Sua forma de organização é variada, podendo constituir unidade independente ou integrar instituição
que cuida da Educação Básica, atender faixas etárias diversas nos termos da Lei nº
9.394/96, em jornada integral de, no mínimo, 7 horas diárias, ou parcial de, no mínimo, 4 horas,
seguindo o proposto na Lei nº 11.494/2007 (FUNDEB), sempre no período diurno, devendo
o poder público oferecer vagas próximo à residência das crianças (Lei nº 8.069/90, art.
53). Independentemente das nomenclaturas diversas que adotam (Centros de Educação Infantil,
Escolas de Educação Infantil, Núcleo Integrado de Educação Infantil, Unidade de Educação
Infantil, ou nomes fantasia), a estrutura e funcionamento do atendimento deve garantir
que essas unidades sejam espaço de educação coletiva.

Abraço solidário
José Manoel

PL 13629/2009

Termos do projeto original sem emendas

 O Povo de Florianópolis, por seus representantes aprova, e eu sanciono a seguinte Lei:


 Art. 1º  Fica o Poder Executivo de Florianópolis autorizado a implantar na rede municipal de ensino o funcionamento de creches no período noturno.

Art. 2º  O estabelecimento e funcionamento das creches no período noturno será regulamentado pelo Poder Executivo por meio de Decreto.

Art. 3º  As despesas resultantes da criação e vigência desta Lei correrão por conta da dotação orçamentária em vigor, podendo ser suplementada se necessário.

Art. 4º  Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Contra o "Plano" de curso para a EJA 2012

Devemos continuar rejeitando o "Plano" de curso da EJA para 2012, agora "reformulado".

Houve "reformas" com mínimas diminuições do retrocesso "proposto", mas a essência continua a mesma.

Assistam ao curto vídeo em que apresento alguns argumentos para continuar refutando a "proposta". http://justin.tv/fejafloripa/b/298189643
 
Entre alguns argumentos apresentados no vídeo.
1- Permanece a concepção fragmentada do conhecimento em "áreas do conhecimento" em que se mistura, não se entendendo como, disciplina (matemática), linguagem e ciências humanas e naturais;
2- Continua a tentativa de implantar a tal das "expectativas de aprendizagem" (inseridas em novo formato) "sacadas" não se sabe de onde nem de quem.
3- Tenta-se novamente implantar eixos temáticos que já foram abolidos em 2007, após um ano inteiro de 2006 trabalhando com esta noção. Concluiu-se que era contraditório com a Pesquisa Como Princípio Educativo (PCPE), pois esta proposta político-pedagógica assume que tudo está interrelacionado não sendo compatível com o lidar com eixos (na forma de etapas ou necessidades).  Ainda apresentam os "eixos" sem qualquer interrelação com o que se segue nas "expectativas de aprendizagem".
Com os eixos parece que se tenta dourar a pílula, porém, não devemos esquecer, que já se tomou desta pílula e aprendemos, então, que não foi bom.
4- Na PCPE é sempre o movimento da aprendizagem na problematização entre estudantes e professores em seus momentos concretos que ditará os caminhos políticos-pedagógicos na aprendizagem pelos sujeitos.

Enfim, se fosse o caso de se aperfeiçoar o que vem sendo feito, deveria se insistir em discutir como compreender e aprofundar, por exemplo:
a- o interrelacionamento do conhecimento na teoria-prática da PCPE;
b- o entendimento dos processos de constituição do ser social;
c- a efetiva instituição de políticas públicas que atendam condições e situações sociais concretas dos sujeitos educandos-educadores.




Watch live video from fejafloripa on Justin.tv
Saudações solidárias
José Manoel

18/10/2011

Assembléia do SINTRASEM aprova Documento sobre a EJA

Povo da EJA, estamos, todos, de parabéns.
Em momento histórico sem precedentes para a EJA de Florianópolis, neste dia de 18 de outubro de 2011, a Assembléia do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Florianópolis - SINTRASEM aprova uma Resolução de interesse de todos os que militam por uma EJA democrática, solidária e com proposta pedagógica para além da ótica conteudista, utilitarista e mercadológica.
Um documento sem pretensões de ser considerado como marco referencial teórico mas uma compreensão do processo histórico que, por mais de dez anos, vem construindo coletivamente uma proposta político-pedagógica da EJA nesta cidade. Retrata um entendimento do estágio atual da proposta e de como ela pode se reafirmar como contra-ponto e alternativa necessária-suficiente ao que vem sendo produzido, nestes dois últimos meses, pelas instâncias governamentais do município como um "Plano" para a EJA-2012, que, diga-se de passagem, foi rejeitado bravamente em sua íntegra pelo coletivo de professores em reunião próxima passada.
Nos próximos dias, este  documento será encaminhado pelo SINTRASEM à Secretária Municipal de Ediucação juntamente com uma solicitação de audiência com o senhor Secretário.

A íntegra da resolução aprovada pode ser obtida a partir do link:
Educação de Jovens, Adultos e Idosos - Compromissos e propostas

As referências ao projeto político-pedagógico da Resolução do SINTRASEM podem ser encontradas em:
Estrutura, Funcionamento, Fundamentação e Prática na Educação de Jovens e Adultos EJA - 2008


Abaixo o link do Documento que gerou a Resolução do SINTRASEM e que continua a ser modificada no editor do Google:

https://docs.google.com/document/pub?id=1uUFGcol9Sa1EebtsBZ15Bpcl-quRJdlnwl0RzBh-dv4

A "luta" ainda não terminou e precisamos continuar trabalhando atentos, unidos e fortes para conseguirmos manter nossas conquistas e alcançarmos muitas outras mais, sempre no sentido de uma EJA Solidária e Emancipatória.

16/10/2011

O atendimento da demanda de EJA em Curitiba



A seguir, link de um importante texto da professora, mestre, doutoranda Neura Maria Weber Maron sobre o atendimento da demanda de EJA em Curitiba e que nos traz, além de outros conhecimentos, excelente embasamento para as questões de legislação. Foi publicado no blog da União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação - Coordenação Paraná

http://uncme-pr.blogspot.com/2011/10/o-atendimento-da-demanda-de-eja-em.html?spref=fb

13/10/2011

Resumo da reunião do dia 07 de outubro do FEJAFLORIPA

Na última sexta-feira, dia 07 de outubro, no Museu da Escola Catarinense realizou-se a reunião ordinária da Comissão Executiva do FEJAFLORIPA.
Foi debatido e deliberado que se deve:
1- Publicar uma carta de repúdio ao atual processo de construção do Plano de Curso da EJA para 2012 em virtude de sua forma pouco democrática e por trazer vários aspectos com os quais se precisaria de mais tempo para análise e discussão;
2- Produzir uma revista eletrônica do FEJAFLORIPA com ISBN a ser planejada a partir de uma reunião do FEJAFLORIPA especialmente para este fim. Haverá necessidade de se instituir um conselho editorial, para o qual se aceitam sugestões de nomes;
3- Realizar oficinas, seminário ou cursos conjuntamente com a Escola Canto da Ilha da CUT dentre outros possíveis parceiros com certificação reconhecida pela Secretaria do Estado de Santa Catarina;
4- Promover formas de angariar fundos a partir de venda de canetas e camisetas além de promover nova festa do Fórum. Um dos presentes ficou de realizar os orçamentos;
5- Acionar a Coordenação do CEJA de Florianópolis para viabilizar com menos burocracia um processo abertura de turmas de EJA de Ensino Médio;
6- Continuar a cobrar do Conselho Municipal de Educação uma audiência para tratar dos assuntos referentes à Resolução 02/2010 que trata das diretrizes e funcionamento da EJA de Florianópolis;
7- Reunir-se com o SINTRASEM para tratar das questões da EJA: Concurso Público, Plano de Curso da EJA, Condições de Trabalho etc. Local: Sindicato; Dia: 14 de outubro; Hora: 16h. Convite extensivo a todos que puderem lá comparecer.

Sem mais para o momento
Saudações solidárias
FEJAFLORIPA

10/10/2011

Repúdio ao processo de construção do Plano de Curso da EJA de Florianópolis 2012

Considerando que em Carta do Departamento da EJA aos seus Profissionais - Plano de Curso/2012 dirigida aos educadores da EJA de Florianópolis, o Departamento de Educação de Jovens e Adultos - DEJA:

1. Reconhece “que vivemos um momento marcado pelo desafio de situar a EJA no sistema municipal de ensino de Florianópolis, tendo como parâmetros as  normatizações específicas para esta modalidade, sem perder de vista, o acúmulo desenvolvido pelos  educadores/professores  que trabalharam e trabalham na construção cotidiana da EJA, motivado ainda pelas preocupações apontadas nas reuniões de coordenadores que tem se configurado como o principal fórum de discussão deste processo, para apresentar algumas considerações a título de esclarecimento”; (grifos nossos)

2. Reafirma “que a intenção de previsão das expectativas de aprendizagem não é o estabelecimento de um rol de conteúdos”;

3. Compreende “que a elaboração de políticas públicas é resultado de um processo desenvolvido por diversos sujeitos com diferentes funções”.

4.  Considera um desafio enorme "dar conta dessa tarefa de forma democrática e em um período muito pequeno de tempo".

Conclamamos a todos os educadores e instituições que conhecem e reconhecem como legítimo o processo histórico pelo qual se desenvolve desde o ano de 2000 a construção de nossa teoria-prática na EJA a se posicionarem contra o imediatismo, a aceleração e a falta de condições reais de diálogo entre os SUJEITOS DA EJA deste município por esse processo instaurado. 

A ausência de condições reais de diálogo em função de estarem previstos pelo "Processo de elaboração dos documentos para normatização da EJA em 2012 – Plano de Curso e Diretrizes da EJA" do DEJA/DEF/SME apenas dois encontros nos núcleos em momentos que permeiam outras necessidades de planejamento e trabalho para analisar, refletir, debater, alterar, compor, revisar e aprovar o que possa ser "uma proposta em estudo para o Plano de Curso - EJA/2012" intitulado: Traduzindo em Ações: Das diretrizes a uma proposta curricular elaborado e enviado pelo DEJA contradizendo as considerações de sua autoria acima apresentadas. 

Aproveitando a oportunidade gostaríamos de receber esclarecimentos sobre "informações" ditas como "oficiais" que não estão sendo explicitadas nos documentos apresentados, "informações" estas, que se confirmadas, não foram discutidas "democraticamente" com os SUJEITOS DA EJA.:

1) Está sendo previsto para 2012 a extinção da carga horária de 30 horas para a EJA de II Segmento, passando todos para 20 horas semanais, inviabilizando o planejamento coletivo atual em dois turnos semanais e presenciais, precarizando ainda mais o atendimento das turmas de EJA em função de terem, os professores e demais profissionais que, sobrecarregada e isoladamente, atender múltiplas necessidades educacionais com estudantes e com seus pares em muitos dos casos em mais de uma localidade.

2) Haverá uma mudança estrutural da coordenação do curso que hoje é realizada através de núcleos de EJA para a gerência através das Escolas Municipais, via diretores do Ensino Fundamental com a possibilidade de preenchimento da "carga horária faltante" por parte de professores de tais unidades.

3) Existe a proposta de uniformização de conteúdos "básicos" necessários para todos os estudantes a serem averiguados por descritores avaliativos, definidos como "um detalhamento de uma habilidade cognitiva", uma lógica tecnicista que desde 2000 vem sendo superada com êxito por uma outra que leva em consideração necessidades, interesses e possibilidades dos SUJEITOS DA EJA em sua integralidade em meio à dialogicidade do processo educacional da EJA.


Enfim, o FEJAFLORIPA, ratifica a sua total discordância tanto ao processo quanto ao conteúdo do que vem sendo "informado", proposto e praticado através do DEJA/DEF/SME e aponta, como forma de compatibilizar o que se entende como o espírito democrático tão desejado "por todos", que se refaça o cronograma do processo na próxima reunião do dia 13 de outubro ampliando o tempo para análise e discussão do referido processo de modo a conceder a todos os SUJEITOS DA EJA envolvidos condições reais de participação democrática.

Nesse sentido o FEJAFLORIPA vem, publicamente, prestar solidariedade a todos que trabalham na EJA, se colocando a disposição para também participar dos referidos debates.

29/09/2011

Reunião ordinária do FEJAFLORIPA e com o SINTRASEM

Convocamos a diretoria do FEJAFLORIPA e a todos os interessados para duas reuniões:

1) Reunião ordinária mensal do FEJAFLORIPA, sexta-feira, dia 07 de outubro, 16h - Local: Museu da Escola Catarinense.
Pauta: Movimento atual do Fórum (ABAIXO-ASSINADO) e preparação para a reunião com o SINTRASEM

2) Com o SINTRASEM para sexta-feira, dia 14 de outubro, 16h - Local: SINTRASEM.
Pauta: Demandas da EJA de Florianópolis e apoio do SINTRASEM ao nosso movimento.

Por favor, agendem estas reuniões pois elas são muito importante.

Saudações solidárias

15/09/2011

Momentos para muito além de lembranças

Vários momentos e depoimentos da EJA de Florianópolis de um passado recente que estão ainda bem presentes. Trata-se de um vídeo produzido pela então assessora pedagógica do Departamento de Educação Continuada, Regina Bittencourt Souto. Retrata momentos que não podem ser considerados apenas como lembranças e sim como constituintes de nós próprios.

Link - http://www.youtube.com/watch?v=zkrVcaZTNtw

Que estas imagens nos façam refletir o momento atual na EJA de Florianópolis e nos motivem, cada vez mais, a nos comprometer com uma pedagogia emancipadora e a busca de nossos direitos e dos estudantes.

POR CONCURSO PÚBLICO NA EJA - JÁ
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=EJA2011


10/09/2011

Entrevista de José Manoel no programa Floripa em Foco

No dia 09 de setembro, nos estúdios da TV FLORIPA, o prof. José Manoel foi entrevistado pelo jornalista Silvio Smaniotto sobre a realidade da Educação de Jovens e Adultos em Florianópolis, o abaixo-assinado para concurso público para contratação de professores e auxiliares efetivos, "o tubo do tempo" da turma do Rio Tavares de 2001, etc.

O FEJAFLORIPA agradece o interesse e a atenção do Silvio, da Monique e do Fernando da TV Floripa.


Para assistir ao vídeo da entrevista:
http://www.youtube.com/watch?v=e2fzkjRI8QE