Fórum da Educação de Jovens e Adultos de Florianópolis
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09/03/12
Reunião de militantes da EJA com Vereador
O FEJAFLORIPA solicita aos educadores municipais, estaduais, federais e da ETHCI - CUT , sejam professores, auxiliares ou coordenadores para manifestarem as atuais demandas e / ou comparecerem à Câmara no encontro marcado.
Abraços solidários
José Manoel
04/03/12
Histórico do Planejamento Pedagógico Coletivo na EJA de Florianópolis
Em 1999, a EJA de Florianópolis era coordenada pela Divisão de Ensino Fundamental e organizada em dois ciclos e quatro fases. Ciclo I com as fases 1 e 2 e o ciclo II com as fases 3 e 4. Cada fase tinha a duração de um ano letivo. O ciclo I "equivalia" às séries iniciais do Ensino Fundamental e o ciclo 2 às séries finais. A grade horária era distribuída conforme as diversas disciplinas. Havia aulas normalmente às sextas-feiras.
Nesta época, o horário de entrada dos professores e dos estudantes era na prática às 19 horas e a saída às 22 horas. Enfim, o dia letivo era composto de três horas de trabalho com aproximadamente quinze minutos de intervalo incluídos.
A partir do ano 2000, esta organização começa a se alterar. Alguns núcleos começam implantar a Pesquisa como Princípio Educativo (PPE) e começam a ampliar o tempo de trabalho no local de trabalho gradativamente.
Em 2001, a organização do trabalho na EJA passa para o comando da Divisão de Educação Continuada saindo da égide do Ensino Fundamental. O corpo docente é ampliado com a inclusão do professor-articulador para cada turma e a PPE se torna a forma prioritária de trabalho. A carga horária dos professores no local de trabalho vai aos poucos se ampliando, até que se torna obrigatória a presença do professor às 18 horas. A distribuição do horário passa a não ser mais realizada através de grades com as diversas disciplinas para ser organizada conforme as necessidades das pesquisas e das turmas de estudantes. Nas sextas-feiras, os professores de Artes e de Língua Estrangeira se alternavam no período e trabalhavam suas disciplinas enquanto os demais professores realizavam o planejamento para a próxima semana. Portanto ainda de forma não coletiva o planejamento acontecia em um dia da semana e no período de 18 às 19 horas de cada dia letivo.
A partir de 2006, não mais se contratou professores-articuladores e aumentou-se o tempo de contratação dos professores de área de 20 para 30 horas estabelecendo-se dois turnos semanais (na maioria dos casos vespertinos) de planejamento coletivo que juntamente com uma hora diária passaram a compor a estrutura organizacional que tornou possível o Planejamento Coletivo no local de trabalho.
Múltiplas dificuldades tensionaram este fazer pedagógico. A abertura de espaços para a EJA planejar no local de trabalho implicava em se conseguir condições para as reuniões e estudos nas unidades educativas espaços estes que não eram facilmente assegurados e requeriam apoio e pressão da administração central da rede de ensino, o que, na maioria das vezes, se demonstrava insuficiente. Estas dificuldades ainda não foram superadas e por vezes são consideradas como motivo para o fim deste tempo-espaço de planejamento.
Em 2010, acontece uma ruptura no trabalho da EJA. Ela passa a ser coordenada novamente pelo Ensino Fundamental deixando a Diretoria de Educação Continuada. Esta modificação atinge os princípios básicos da EJA enquanto Educação como um direito ao longo da vida passando a ser considerada em seu modo reduzido como um direito não realizado em um tempo de vida. Esta mudança de parâmetros básicos foi e ainda é um dos retrocessos pelo qual se justifica empreender esforços coletivos para reverter.
Em 2011, houve um grande movimento para que acabasse esta estrutura que dava condições para que o PC acontecesse e quase as 30 horas para contratação de professores para a EJA foram abolidas. Sem as 30 horas, inviabiliza-se o PC, pois a outra alternativa seria retornar aos moldes do que se fazia uma vez por semana, às sextas-feiras, com alguns professores.
Em 2012, começam a ventilar com a possibilidade de se liberar os professores para planejarem aonde bem entenderem e de se retornar ao funcionamento começando às 19 horas o que inviabilizaria a participação coletiva no tratamento dos diários dos estudantes (instrumento central na construção do diálogo educador-educando) que também é característico e original da EJA desta RME. Alternativas-tampão e explicações de cunho individualista (precisar estar sozinho, ócio criativo) são apresentadas mas nada superando a situação estrutural atual de se poder reunir e estar junto para planejar.
Portanto, em vez de melhorarem as condições de trabalho e consequentemente melhorarem as possibilidades de um Educação de Qualidade acenam com mudanças que no âmago não colaboram em nada com o aperfeiçoamento do complexo processo educativo.
Não podemos abandonar a bandeira de criar/manter o Planejamento Coletivo nos espaços das unidades educativas, pois inerente a ela está a luta por melhores condições de trabalho e por uma Educação sob uma lógica não individualista para além do capital.
03/03/12
Planejamento Pedagógico Coletivo: considerações preliminares
O Planejamento Individual (PI) é assim denominado, neste texto, pela característica de delegar aos indivíduos a competência e a responsabilidade de propor e executar suas tarefas pedagógicas específicas a partir de um PPP geral. A necessidade de integração é dada pelo PPP e a discussão de questões comuns e possíveis ajustes são realizados em reuniões pedagógicas coletivas, ou não. Neste caso, a necessidade de estar junto dos educadores não é central para a definição cotidiana do que trabalhar e como trabalhar. Os conteúdos educativos já estão praticamente definidos e podem ser implementados a partir de livros didáticos ou pela forma que a escola instituir que estes conteúdos sejam estabelecidos e trabalhados.
O Planejamento Coletivo (PC), embora também instrumento para realização de um PPP geral, tem a característica de delegar ao grupo de educadores e não aos indivíduos, a cada encontro, a tarefa de estabelecer tanto os conteúdos como a forma de implementá-los (quem, como, com o quê, onde...). Momentos de estudo e produção individuais em separado acontecem nos momentos coletivos em função da necessidade do momento pedagógico coletivo. Esta forma de planejar se torna tanto mais necessária e pertinente quanto mais as propostas pedagógicas trabalhem evidenciando nossos conflitos e contradições e a partir de interesses constituídos no diálogo entre estudantes e professores, interesses estes que estão em constante adaptação em função dos objetivos, necessidades e caminhos que se produzem. O trabalho com a Pesquisa enquanto Princípio Educativo através de problemáticas é um exemplo de caso coerente à necessidade de PC.
O Planejamento Híbrido (PH) organiza seus momentos sistemáticos de planejamento tanto em momentos individuais como coletivos. Nos momentos individuais, a presença de todos os professores é liberada do espaço educativo comum, podendo os mesmos, realizarem seu planejamento no momento e no local em que considerarem oportuno e necessário. Por um aspecto a se considerar, isenta a instituição ou rede de ensino da responsabilidade de ter que proporcionar as condições estruturais necessárias do Planejamento Coletivo. Estas condições, como computador, acesso à internet, ambientes propícios etc têm que ser viabilizadas por cada um dos professores que se utilizam, então, de outros de seus locais de trabalho ou de sua própria casa em momentos que deveriam ou poderiam ser familiares e de não-trabalho.
Historicamente, não temos tradição de Planejamento Coletivo (educacional, urbano, social, econômico...). Como estudantes, dificilmente participamos da definição dos objetivos e conteúdos de nossa educação. Fomos formados, na maioria do tempo, por planejamentos individuais e na Lógica do Individualismo. A produção de uma outra Lógica, de uma Lógica Coletiva é mais difícil ainda tendo este histórico de construção individualista por uma lógica de mercado em que não passamos de mão-de-obra especializada. Não nos formamos pela via coletiva e fica fácil compreender como é difícil planejar coletivamente. Mas esta dificuldade (de compreensão) e precariedade (de condições materiais para realizá-lo) não podem ser os motivos para não continuarmos tentando e sim o alerta e indicador de como estamos longe de uma sociedade coletiva.
Portanto, a luta por criar ou manter estruturalmente o Planejamento Coletivo se relaciona diretamente com lutar dentro de nossas instituições para constituirmos melhores condições de realização de nosso trabalho nos espaços coletivos educacionais.
29/02/12
I Reunião do Fórum Municipal em 2012
23/12/11
Boas Festas e um 2012 muito melhor
Não foi um ano fácil para a EJA da rede municipal de Florianópolis e quase se tornou num total retrocesso. Para a EJA estadual no município a mudança da gestão do CEJA de Florianópolis representou poucos avanços no sentido de desburocratizar e mesmo automatizar a oferta de cursos de EJA de ensino médio. Alguns avanços no relacionamento com o IF-SC campus Coqueiros e Centro de Florianópolis mas nos parece que o tipo de oferta para os sujeitos da EJA continua de formação para o trabalho simples e subalterno além de ainda muito tímida a oferta de novas matrículas.
Nosso Fórum Municipal que procurou atuar no sentido de propor avanços nas contratações em carater permanente e de realizar encontros formativos terminou por centrar seus esforços para evitar a perda do regime de 30 horas e a implantação de um plano de curso de forma anti-democrática com base em princípios fragmentários e conteúdos escolares mínimos e infantis. Enfim, em vez de avançarmos no sentido de nos aperfeiçoar, ficou a sensação e a constatação de que retrocedemos um pouco em relação ao que já se havia conquistado. Fica registrado a consolidação de um efetivo apoio do Sintrasem às causas da EJA e a demonstração de posicionamento e enfrentamento coletivo dos professores da EJA de Florianópolis.
Para 2012, espera-se, e iremos trabalhar para, que alcancemos a realização de concurso público, a efetiva atuação do Fórum Estadual nas contendas políticas e principalmente para que mais e mais a EJA seja reconhecida e tratada como Educação Continuada desvinculada dos conceitos e ditames do Ensino Fundamental e Médio.
A todos e a todas ótimos momentos e reflexões neste final de ano e início de um novo, esperando que possamos estar cada vez mais juntos, atuantes e consequentemente mais fortes e mais visíveis.
José Manoel Cruz Pereira Nunes
Presidente do Fórum da Educação de Jovens e Adultos de Florianópolis - FEJAFLORIPA
BLOG: http://www.nucleosejafloripa.
HOMEPAGE: http://fejafloripa.org.br/
ENTREVISTA: TV Floripa - http://www.youtube.com/watch?
ABAIXO-ASSINADO: Concurso na EJA - JÁ : http://www.peticaopublica.com.
13/12/11
Embrião da Revista Eletrônica
Balanço de final de ano do FEJAFLORIPA
2011 é o segundo ano de atuação do FEJAFLORIPA.
Não tem sido um ano fácil para ninguém e espera-se para 2012 um outro ano bem difícil para a EJA da rede municipal de Florianópolis e para a EJA como um todo. A mentalidade de retrocesso histórico e de EJA como complemento e suplemento de escolarização básica está ainda muito fortemente impregnada na mente de gestores, educadores, educandos e da população como um todo. A visão economicista tacanha dos gestores em geral é um fato e se torna outro forte entrave para um trabalho que atenda as múltiplas necessidades dos sujeitos da EJA.
Registra-se a seguir algumas das realizações neste ano e das principais pendências para 2012:
1) O FEJAFLORIPA foi registrado em cartório e no CNPJ como associação sem fins lucrativos e de defesa de direitos civis. Foi criado um site - fejafloripa.org.br. O grupo de email tem 300 associados.
2) Acionamos o Conselho Regional de Educação Física - CREF-SC para que houvesse contratação de professor de Educação Física na EJA. Desta pressão conseguiu-se que a SME acenasse com a contratação deste profissional. Resta a vigilância para que isto de fato ocorra e que o profissional não venha "tampar buracos" como pretenderam inicialmente.
3) Acionamos a CEJA de Florianópolis para que as aberturas de turmas fossem automáticas e desburocratizadas. Esta ação em parte foi alcançada mas muito chão se tem que se percorrer para que isto venha se tornar política pública de estado (e de município). As necessidades para as matrículas continuam enormes.
4) Por intermédio do vereador Badeko, o FEJAFLORIPA conseguiu a aprovação da legislação que instituiu o Dia Municipal da alfabetização e da EJA em Florianópolis. Como esta lei foi sancionada muito em cima da data em 2011, coloca-se como objetivo para 2012, organizar-se um grande evento para dar visibilidade todas as necessidades da EJA como um todo. Ou seja, reunindo estudantes e professores das três esferas, federal, estudual e municipal além da população em geral.
5) Organizamos abaixo-assinado online para concurso público para a EJA, que foi encaminhado ao Secretário Municipal de Educação de Florianópolis. A luta, neste caso, continua forte e não se pode aceitar que se continue a trabalhar com tamanha provisoriedade e temporariedade na EJA de Florianópolis e do Estado de Santa Catarina. Precisamos nos juntar, no início de 2012, ao movimento do SINTRASEM para que os itens de nossa data-base sejam conquistados. Fica como pendência para o ano que vem continuar nesta luta pelo concurso público.
6) Realizamos a nossa I FESTEJA, com a participação de muitos professores, coordenadores e de alguns estudantes. Porém, em função do clima de discórdia e retrocesso que se instalou através dos gestores e assessores da EJA de Florianópolis não conseguimos mais agenda para uma II FESTEJA. Para 2012, procuraremos organizar uma logo no início do ano para trazer os novos companheiros para o bom convívio das lutas na EJA.
7) Participação ativa no processo que freiou a tentativa de reformar condições de trabalho na EJA de Florianópolis e de implantar guela abaixo um Plano de Curso gestado nos bastidores do poder municipal sob um capa invisível e forçada de democracia. Articulou-se a diversos professores e ao SINTRASEM para que uma carta aberta saisse em uma das assembléias, para que se tornasse item das reivindicações da data-base, culminando com a participação consciente e fundamental do SINTRASEM na organização do movimento de repúdio com os professores às reformas estruturais-pedagógicas. Para 2012, continua a vigilância em relação às tentativas de reformas para que, se houverem, transcorram com o acordo esclarecido da maioria dos educadores e educandos.
8) Participação ativa em diversos espaços como os Fóruns Nacional e Estadual de Santa Catarina, Agenda Territorial, IF-SC, na coordenalção executiva do II Fórum Mundial de Educação Profissional e Técnológica.
9) Se solicitou audiência com o Conselho Municipal de Educação de Florianópolis sobre a Resolução da EJA mas até agora só nos devolveam promessas de encontro. A última informação foi a de que estamos na dependência do grupo interno do Ensino Fundamental. Fica como pendência para o ano que vem realizar esta reuinião.
10) Fica ainda como pendência para o ano que vem pressionar para a EJA de Florianópolis retornar para a diretoria de Educação Continuada saindo do controle inapropriado da diretoria do Ensino Fundamental e de suas diretrizes educacionais dirigidas historicamente à crianças.
11) Internamente, ficam as pendências de se organizar um Seminário Municipal de EJA e uma revista eletrônica com ISBN-ISSN, além de promover formas de angariar fundos para as nossas lutas independentemente de apoio de governos.
Enfim, ficou bem marcado que existe sim uma forte causa que nos une e que em função dela estamos dispostos a empregar nossos tão preciosos e escassos tempos de vida.
VIDA ETERNA AO FEJAFLORIPA!
11/12/11
Aos professores e gestores da EJA.
Os que se fizeram presentes na reunião de terça-feira 06/12/11 no auditório do CEC na Ferreira Lima, perceberam uma postura mais aberta e democrática com maior enfase no diálogo propositivo e consultivo ao mesmo tempo elucidativo sobre as propostas de mudanças para a EJA em 2012 tendo em pauta o retrospecto da funcionalidade da EJA nos anos precedentes. Convém evidenciar que este encontro com o executivo representado pelo Diretor do Departamento de Educação Fundamental e pelo Chefe do DEJA , foi fruto também da iniciativa do FEJAFLORIPA em buscar a representatividade do SINDICATO aliada ao movimento natural de discordância por parte dos profissionais da EJA sobre o modo e conteúdo das proposições encaminhadas pelo executivo.
Reconhecemos a importância que teve a abertura por parte da diretoria do SINDICATO em ouvir-nos com atenção merecida e consequente entendimento das nossas solicitudes para os desdobramentos subsequentes como as audiências com o secretário, o item de pauta aprovado em assembléia e a reunião no CEC com a aceitação da proposta quase por unanimidade pelos profissionais da EJA alçando a categoria em pé de igualdade ao plano das categorias que incorporam os diversos segmentos dos trabalhadores e serviços atendidos pela Prefeitura Municipal de Florianópolis.
Não podemos porém nos acomodarmos nem tão pouco entendermos somente como obtenção de ganho a análise primeira sobre a proposta hora examinada pois como bem colocado por um dos profissionais presentes o que conseguimos foi o freamento de mudanças mais intempestivas e desmanteladoras da atual política vigente da EJA construída nos últimos 12 anos. Vencida uma etapa de relativa turbulência em que as bases do diálogo encontram novamente espaço para os debates, avanços e encaminhamentos, conclamamos agora principalmente os coordenadores dos núcleos a explicitarem com maior liberdade e determinação as suas convicções e opiniões agindo da mesma forma em seus núcleos com suas equipes de professores para buscarmos e ampliarmos os pontos positivos na proposição do plano de curso bem como o melhor entendimento e encaminhamento possível no que diz respeito aos trabalhos e envolvimentos com as escolas básicas nas quais os núcleos estarão vinculados.
A resolução 02/2010 indica os PPPs dos núcleos que pode ser um instrumento para fortalecer ações e reforçar a autonomia para o planejamento do trabalho metodológico.
Convidamos todos os profissionais para em 2012 participem das reuniões e das festas do FEJAFLORIPA como nosso espaço democrático de construção de caminhos e alternativas para as problemáticas da EJA e de intercâmbio de idéias e práticas com os demais núcleos.
Como fica a EJA segundo a proposta:
8 núcleos com com 8 professores cada de 30 horas, 1º segmento com 20 h. Possibilidade de mais dois núcleos condicionado ao número de alunos em locais de difícil mobilidade. Merendeiras das 17:00 às 19:00.
Devemos lembrar que as matrículas estão abertas para EJA também nos turnos matutino e vespertino e educandos presentes nesses turnos devem ser incluídos na proposta e previsão de merendeiras, além de outros direitos.
--
At,
Diretoria Executiva do FEJAFLORIPA.
02/12/11
E as notas, para que servem?

VOU PEGAR CARONA NESTE TEU EMAIL RODRIGO PARA DIZER QUE HOJE ASSISTIMOS NO NÚCLEO A APRESENTAÇÃO DE UMA PESQUISA EM QUE A PERGUNTA ERA: "EDUCAÇÃO NO BRASIL, COMO MUDAR A REALIDADE PRESENTE?"
QUEM SE HABILITA A DAR NOTAS PARA ESTES ALUNOS?
UMA BOA NOITE. MOACIR.
Reunião com o Secretário de Educação de Florianópolis
Tivemos na sexta-feira 25/11 uma reunião entre: O secretário Rodolfo, Pedro, Andersom e os menbros do sindicato Rosângela e Alex e os professores da EJA, Moacir, Marilúcia e Humberto. No tempo das 11:00 ao 12:00 ouvimos nos primeiros 20 minutos a fala do Pedro fazendo uma retrospectiva da EJA desde 2000. Nos 40 minutos finais em que falaríamos o secretário se fez ausente pela necessidade constante de atender telefonemas. Portanto foi sugerido uma nova reunião da qual estávamos aguardando confirmação da data.
Método de ensino eficaz, segundo Feynman
Durante a estada de Richard Feynman no Brasil - um dos poucos ganhadores do Prêmio Nobel que o
Brasil pôde conhecer de perto -, os alunos pediram a ele que desse uma aula sobre nossos métodos de ensino na área da física. Feynman pegou cinco ou seis livros de física adotados pelo MEC naquela época e um mês depois disse que só daria aquela aula no último dia de sua permanência no país.
No dia fatídico, dezenas de professores de física se reuniram para ouvir sua palestra. Essa história é contada por ele no livro Deve Ser Brincadeira, Sr. Feynman.
Começou assim a palestra: "Triboluminescência, diz no livro de vocês, é a propriedade que certas substâncias possuem de emitir luz sob atrito". E mostrou como nossos livros apresentavam a matéria pronta, incentivavam a decoreba, eram essencialmente chatos e confusos. Isso foi escrito há trinta anos, mas, pelas queixas dos alunos, nossos livros de física não melhoraram tanto quanto deveriam.
Segundo Feynman, um livro americano abordaria a questão de forma um pouco diferente. "Pegue um torrão de açúcar e coloque-o no congelador. Acorde às 3 da manhã, vá até a cozinha e abra o congelador. Amasse o torrão de açúcar com um alicate e você verá um clarão azul. Isso se chama triboluminescência."
Não sei se ficou clara a diferença que Feynman tentava demonstrar, nem sei se os livros didáticos americanos continuam os mesmos, mas basicamente nossos métodos de ensino apresentam muita informação e teoria em vez de despertar a curiosidade.
Criamos alunos tão bem informados que no Brasil inteligência virou sinônimo de erudição. Inteligente é quem sabe muito, quem repete as teorias e conclusões dos outros. Um dia ele poderá até ter opinião própria, mas será difícil se ninguém estimular sua curiosidade.
Sem dúvida, toda sociedade precisa de pessoas eruditas, aquelas que sabem os caminhos que já foram percorridos. Erudição não mostra necessariamente inteligência, mas demonstra que a pessoa tem boa memória.
No mundo moderno, em constante mutação, inteligência quer dizer outra coisa. Significa enxergar o que os outros (ainda) não vêem. Isso é próprio de pessoas criativas, pesquisadoras, curiosas, exploradoras, que encontram soluções para os novos problemas que temos de enfrentar.
O método de ensino eficaz, segundo Feynman, deveria formar indivíduos curiosos. O objetivo final de uma aula teria de ser formar futuros pesquisadores, e não decoradores da matéria. O que mais o espantou é que nosso ensino de física e química é muito superior ao americano, algo que todo brasileiro já sabe. Mesmo assim, notou Feynman, o Brasil produz menos físicos e químicos que os Estados Unidos.
A hipótese que ele levanta é o método de ensino. Damos muita teoria e informação, mas ensinamos pouco como usar as informações aprendidas. Por sua vez, os americanos sabem e aprendem muito menos teoria, mas devotam mais tempo aprendendo como usar a informação apresentada, sob todos os ângulos.
Suspeito que essa seja a razão de nosso péssimo desempenho nos testes internacionais administrados pelo Programa Internacional de Avaliação Estudantil (Pisa), em que o Brasil aparece nas últimas colocações, inclusive em física. Os testes do Pisa enfatizam mais o uso da informação do que a lembrança da informação em si, algo em que o aluno brasileiro se destaca.
O certo seria, talvez, escrever livros "didáticos" menos didáticos e mais motivadores, que estimulassem a curiosidade e fossem mais relacionados com a vida futura de nossos alunos. Alguns dos livros que avaliei mal estimulam o aluno a virar a página para o próximo tópico, muito menos poderiam seduzi-lo a se dedicar ao assunto o resto da vida.
Vamos fazer um simples teste entre 1 000 alunos e descobrir quantos jogaram fora seus livros didáticos após a formatura e quantos os guardaram como o primeiro volume de uma grande biblioteca sobre o assunto. Isso nos diria quais os livros didáticos que de fato estimularam nossa curiosidade, o objetivo principal do ensino moderno.
Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)
Revista Veja, Editora Abril, edição 1826, ano 36, nº 43 de 29 de outubro de 2003, página 20
29/11/11
Perspectiva democrática e Educação
Pablo Gentili. Adeus à Escola Pública - A Desordem Neoliberal, a Violência do Mercado e o Destino da Educação das Maiorias, In. Pedagogia da Exclusão - crítica ao neoliberalismo em Educação. Editora Vozes, 1996, p.247.
22/11/11
Resistir, denunciar e se unir - uma carta ao vento que nos encontra!
É uma lástima.
O Ensino Fundamental (EF) e a Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis (SME) estão atualmente praticamente obrigando que todas as unidades educativas de EF e de Ensino Infantil tenham Conselhos Escolares para assegurar uma gestão democrática que inclui professores, comunidade escolar e estudantes na discussão de seus projetos, enquanto isto para a EJA de 2012 seus gestores fazem autoritariamente um “novo plano de curso” (NPC) de cima para baixo a partir de um “pequeno grupo” de pessoas convidadas já que não se obteve apoio da maioria dos coordenadores e professores atuais. Para tanta pretensão, a atual gestão da Diretoria de Ensino Fundamental (DEF) se apropriou da inexperiência inicial não só de um jovem bom moço, mas de 70% de todos os professores de II segmento que nunca haviam trabalhado na EJA de Florianópolis antes de 2011. Estrategicamente, ao mesmo tempo em que se ganhava tempo, tentando apresentar uma postura democrática por parte da DEF, se produzia desunião entre coordenadores e professores através de cooptação e da necessária “fidelidade ao chefe”.
São muitas as inconsistências, incoerências, incongruências e contradições neste processo.
O Ensino Fundamental da SME faz um programa intitulado como TOPAS (Todos podem aprender sempre) com um professor chamado de articulador e mais professor de área para lidar com adolescentes. Ou seja, dois professores atuando com estudantes em defasagem série-idade, como um programa de aceleração. Para a EJA, o “novo plano de curso” se estrutura com apenas um professor em sala. Juntos, com apenas um professor, adolescentes de 15 a 17 anos, jovens trabalhadores de 18 a 29 anos, adultos chefes de família de 30 a 59 anos e idosos acima de 60 anos (quatro faixas etárias bem distintas).
Enquanto no Ensino Fundamental, o professor é lotado por unidade escolar, o que equivale à apenas uma localidade, na EJA o mesmo professor, qualquer que seja a sua carga horária, em função dos núcleos atenderem em várias escolas, vai ser obrigado a aceitar trabalhar por várias localidades até se esgotarem as possibilidades de sua carga horária, sem condições de se aprofundar nas questões de vínculo e de especificidades educacionais, em um difícil terceiro turno noturnamente violento.
Enquanto que no Ensino Fundamental, com a maioria de professores efetivos, esta manobra é difícil de implantar, na EJA, não estão se preocupando com as reações. Na EJA, a absurda maioria, de mais de 95% de professores contratados temporariamente (ACT) que se renova a cada ano, não tem escolha. Pesquisa demonstra que 70% dos professores do II segmento de 2011 inscritos no EDUCACENSO deste mesmo ano não trabalharam na EJA de Floripa anteriormente. Em 2012, vai ser a mesma coisa, vai ficar fácil convencer a quem nada sabe do processo anterior. E se não gostarem de trabalhar em várias localidades, isolados em suas salas, que peçam demissão (efetivo - remoção). Ou seja, “ou peguem ou larguem”. Mas a gestão sabe que isto não será possível acontecer, pois os professores substitutos precisam do emprego para sobreviver. Por isso não tem concurso público para a EJA e não porque ela vai acabar, pois com 75.000 eleitores sem E.F e 8.000 sem saber ler e escrever, com toda a migração que acontece diariamente para a capital, com as históricas precárias condições de vida da maioria da população brasileira e constatando a nossa ínfima capacidade de atuação material, este quadro não tem perspectivas de se alterar substancialmente.
É uma lástima.
Para os poucos professores efetivos na Eja, o que oferecem? Se quiserem ser coordenador é só “pedir ao chefe” e aceitar o “novo plano de curso” sem reclamar. Ainda, como ação proposta pelo “NPC”, como incentivo e gratificação, os coordenadores vão ganhar dinheiro a mais no salário para isto (diretores das unidades escolares que abrirem EJA também vão receber). Vale lembrar que isto, nunca nenhum coordenador de núcleo recebeu em toda a sua vida de militante (não que não fosse justo) na EJA de Florianópolis, e isto sendo agora feito só para conseguir adeptos e apoio ao “novo plano de curso” é revoltante.
O que mais oferecem aos professores efetivos? Podem fazer 24 horas-aula com os estudantes, não vão precisar completar as 28 horas. Que dádiva! Enquanto até agora, todos trabalham toda a sua carga horária com efetivo trabalho coletivo nos núcleos, para 2012, pelo “NPC”, vão bastar 24 horas-aula solitárias nas salas com estudantes de todas as faixas etárias, desde que trabalhem em todos os lugares que se mandar.
É uma lástima.
E os conteúdos curriculares, o que se propõe no “NPC”? Uma adaptação do Ensino Fundamental, aqueles conteúdos para crianças que vivem as “escolas regulares”. A Educação Física vai ser ofertada em 2012 tendo, como uma de suas funções, que virar “disciplina tampão”, para que os demais professores possam planejar. Na lógica metodológica do “NPC” da EJA do Ensino Fundamental, saber responder, copiar e obedecer é bem melhor do que saber pensar, pesquisar e discutir de uma EJA que por vários anos vem se construindo a várias cabeças e sob condições insistentemente precárias, provisórias e muito severas.
E a grade escolar? O “NPC” enfim traz de volta a todos suas “caixinhas”. Lança-se um desafio, a quem quer que seja, de montar uma grade com a mesma estrutura do EF (número de aulas por disciplina por semana) para um núcleo funcionando apenas em um turno e com todos os seus professores contratados apenas por 20 horas semanais. Quem aceitar o desafio verá que é impossível, que não dá. Mas para a EJA parece que é apropriada. E ainda se ouve dizer, pelos críticos do atual processo pedagógico, que ter a pesquisa por problemática enquanto princípio educativo é proposta político-pedagógica “para pobre”. Pobres então devem ser todos aqueles que fazem pesquisa para se tornarem mestres, doutores e pós-doutores.
É uma lástima.
Infelizmente, temos que continuar denunciando as inconsistências, incoerências, incongruências e contradições da Diretoria de Ensino Fundamental da SME de Florianópolis na tentativa de implantar suas propostas de Plano de Curso autoritário, através de conteúdos disciplinares mínimos adaptados daqueles ofertados às crianças, com grades de horário precárias e fragmentadas, com distinções estruturais entre TOPAS e EJA, com professores provisórios e substituíveis etc.
Resistir, denunciar, e se unir. Estas são as palavras de ordem de uma EJA não submissa, não calada e que precisa de todos para fazê-la cada vez melhor.
17/11/11
O FEJAFLORIPA participa do lançamento do II Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica
Lançamento do evento será em 29 de novembro na capital
Horário: 16 horasLocal: Centro de Convenções CentroSul – Florianópolis – Santa Catarina
Site do evento: www.forumedutec.org
Mais informações para a imprensa: jornalismo@ifsc.edu.
09/11/11
O que é uma escola justa?
A seguir alguns trechos marcantes:
" [... uma meritocracia escolar justa não garante a
diminuição das desigualdades..."
"O modelo de igualdade de oportunidades meritocrático pressupõe, para ser
justo, uma oferta escolar perfeitamente igual e objetiva, ignorando as desigualdades
sociais dos alunos. Ora, todas as pesquisas mostram que a escola trata
menos bem os alunos menos favorecidos..."
" [...a escola meritocrática legitima as desigualdades
sociais."
O texto publicado no Cadernos de Pesquisa, v. 34, n. 123, set./dez. 2004 poderá ser conseguido em sua íntegra no site do FEJAFLORIPA:
O que é uma escola justa?"
Ressalto que este título é o mesmo de um livro do mesmo autor impresso pela Cortez Editora em 2008 que aborda a questão em termos de "igualdade meritocrática das oportunidades; igualdade distributiva das oportunidades; igualdade social das desigualdades e igualdade individual das oportunidades. (livro no acervo da Biblioteca da UFSC)
Vale a pena conferir.
“Cala a boca já morreu” ! Com a palavra, os professores
Maria Isabel de Almeida - Professora da Faculdade de Educação da USP.
qual o perigo dos discursos se multiplicarem indefinidamente?
Onde é que está o perigo?”
Michel Foucault
Num franco desrespeito à Constituição, que garante a liberdade de expressão a todos os brasileiros, os professores não têm a possibilidade de exercitar o direito de crítica, de reflexão, de apreciação sobre o próprio trabalho e as circunstâncias que o delimitam.
O resultado dessa limitação “vinda de cima” é o silêncio! Mas que silêncio é esse? Onde está o perigo se os professores falarem sobre educação?
Não restam dúvidas de que esse silêncio é uma concepção de gestão da esfera pública que se sustenta em sanções e ameaças, que pairam sobre as cabeças docentes. Com isso o discurso dos professores sobre o seu fazer pedagógico está hoje preenchido de silêncio, o que evidencia o quanto eles não se sentem donos de suas ações. Cada dia mais lhes cabe executar diretrizes vindas de cima; implementar propostas que desconhecem; cumprir tarefas; focar a atenção em aspectos burocráticos em detrimento do estudo, da reflexão, da criatividade, do exercício da crítica. E ainda não lhes é permitido se pronunciarem publicamente a respeito do que estão realizando nas salas de aula ou mesmo sobre o que acontece na rede de ensino onde trabalham.
Falar sobre o ato de educar se faz indissociável do ato educador. Está associado à possibilidade e capacidade de problematizar e refletir sobre a própria ação docente e seus contextos. Expressa também relações de poder. Portanto, quando o poder instituído reserva aos professores apenas o espaço da ação e lhes nega o direito de formular sua própria proposta de trabalho e de expressar publicamente sua avaliação crítica sobre os modos e as condições que delimitam sua ação pedagógica, vem à tona o caráter autoritário dessas relações de poder.
Os professores não chegam prontos às escolas e nem permanecem nelas do mesmo modo ao longo de suas carreiras. Eles vão se construindo profissionalmente à medida que se relacionam com seus contextos de trabalho, com seus pares, com seus alunos, com as normas que delimitam sua profissão e sua atuação dentro dela. Portanto, as interferências e os atravessamentos dos órgãos coordenadores dos sistemas de ensino vão moldando os professores e têm enorme responsabilidade pela ausência da sua fala a respeito do trabalho realizado nas escolas.
Mas, além dos impedimentos formais, um outro lado desse silêncio o torna ainda mais grave. Trata-se dos efeitos decorrentes do modo como os professores vêm sendo considerados pelas políticas educacionais contemporâneas. As atitudes dos gestores dos nossos sistemas de ensino têm se pautado pela desqualificação dos professores
Como a educação é um trabalho que se desenvolve entre humanos, depende do modo como os sujeitos diretamente envolvidos decidem fazê-la acontecer. Assim, os professores são os responsáveis pela direção que imprimem ao trabalho em sala de aula, momento em que escolhem os modos como será realizada a tão necessária ação para inserir os alunos no mundo do conhecimento, para introduzi-los nos mais variados aspectos da cultura, para possibilitar que cada indivíduo integre-se à humanidade. Um trabalho dessa natureza requer capacidade de julgar o que precisa ser feito, o que é possível fazer e como fazê-lo nas condições concretas em que se desenvolve na sala de aula.
Portanto, ao invés de amordaçar os professores e investir contra a autonomia docente, os gestores prestariam maior contribuição à melhora da escola pública se apoiassem o seu desenvolvimento profissional, fortalecendo seus vínculos com a escola, os alunos, a profissão. Isso significaria organizar o sistema e as escolas para que ofereçam possibilidade de estudo e experimentação pedagógica voltadas para a atualização constante das referências ou bases político-pedagógicas que sustentam os modos de atuação docente.
Para serem autores do seu discurso os professores precisam construir mecanismos interiores que lhes permitam articular sua prática de modo coerente, não só com seus valores pessoais, mas também com os valores e necessidades construídas socialmente; precisam ter um domínio profundo do campo do conhecimento que irão ensinar, dos modos de ensiná-lo e dos alunos reais com quem irão trabalhar; precisam ter condições intelectuais e materiais para analisar individual e coletivamente o trabalho realizado; precisam ter recursos materiais e condições de espaço e tempo que permitam atender seus alunos de modos diferenciados e conduzi-los à aprendizagem efetiva; precisam também de reconhecimento e valorização profissional.
Estamos falando dos múltiplos aspectos que estão sendo, ano pós ano, subtraídos dos professores: formação de qualidade, condições adequadas de trabalho e valorização profissional.
